Minh'Alma Chora
Ana Maria Brasiliense
 


Tantas palavras trocadas
Contigo dividi meu viver.
Até asas criei, ao teu lado voei!
Sonhos foram sonhados
Quantos sonhos sem culpas!
Voei em teus devaneios.
Fostes por mim muito amado
como ninguém um dia te amou
Sonhei...sonhei...
Me privei de mim na busca de ti.
Te descobri!
Tuas asas foram quebradas,
as minhas machucadas...
Já não consigo mais voar...
Não quero mais voar nas brumas desse amor.
Não quero mais esse amor escondido.
Nunca mais quero ouvir tua voz,
nem teu olhar me olhar.
Nunca mais !
Nunca mais voarei ao teu lado,
nem alimentarei teus sonhos.
Fiquei sem pés...
Só tenho asas machucadas,
sem poder voar...
Em pedaços me parti.
Não sei o que sobrou
quem agora sou !
Na profundidade do abismo do não saber a verdade,
estou sepultada na dor
e na amargura desse amor...
Minh'alma chora a saudade
de mim...
 

 

Ana Maria Brasiliense

Stos 26/03/2006

 

 

 

 

 

 

Vontade de Ti...
Ciducha

Ontem fugiste
como se te traído houvera!
O desejo de ingressar por entre teus poros
é insistente...

Ontem me apareceste
como se marcado tivéssemos...
Gostei... te insinuavas no amor...
já tão inexistente,
depois de ausente tanto tempo.

Graciosamente,
eu me esquivava...
querendo.

Já me falha a memória,
Mas nunca o gosto dos
sabores que de ti possuo.
Tua força, tuas necessidades...
minhas também.

Teus anseios me pertencem...
Instalar-me, ficar, permanecer.
Sentir os calores que de ti emanam...
e ali ficar plantada, fincada a te esperar.

Encostar-te no meu ventre,
sentir tuas mãos nos meus cabelos.
Voltar ao passado...
puxando-me.

Extasiar-me com teu olhar,
o brilho dele a me fitar,
pedindo-me, implorando-me...

Ler e reler tuas queixas,
teus ciúmes,
tuas carências
e sentir esta vontade
impossível de querer
voltar ao passado.
 

 

Ciducha
Santos, 14/06/2006

 

 

 

 

 

Refúgio
Gui Oliva
 


Poema inspirado na frase de Mario Quintana:
"a poesia é o último lugar em que o humano pode se refugiar
para encontrar a sua humanidade".

A poesia é para mim, assim mesmo, o último refúgio,
última gota sorvida d´alma, da que lhe resta
última marola, onda deste estraçalhar feito dilúvio,
a romper as barreiras da minha vida pelas frestas.

Para a poesia nado quando meu coração naufraga,
é com ela que derramo o choro das ilusões perdidas,
é nela que trino todos os acordes da minha mágoa,
é a ela que dedico os versos derradeiros desta vida.

Quando penso que me esgota a vontade de viver,
nela vou buscar todo o socorro de que preciso,
por ela chega o resto de ar que ainda respiro,
com ela ainda sonho, é possível o amor manter

latejante, cantante como eu o imagino,
mas é ela quem também me avisa...acorda...
o fim começa a tocar, no campanário, o sino!

 


Gui Oliva
Santos/28/11/06

 

 

 

 

 

"De Cordis" *
Guida Linhares
 


Quando agraciados pelo amor,
nossos olhos só veem a beleza
que se desprende da criatura amada,
e mil sóis acendem todas as sutis emoções.

Ainda que o amado seja feio ou tenha defeitos,
o amor se reveste da mais pura beleza
e a nós, aquela pessoa parece perfeita
alma gêmea, companheiro da eternidade.

Mas os anos passam e nós mudamos.
Aquela pessoa amada também muda,
se reveste de outras nuances e matizes
e a ponte que os unia ameaça desmoronar

Já não temos mais a vontade de namorar.
Os traços de carinho e ternura de outrora
ficaram no passado, entrelaçados em lembranças.
Nosso coração não mais acelera, nem falta o ar.

Parece que o amado se integra de tal maneira
a nossa essência e corpo, que passa a fazer parte
integrante de todo nosso ser como um patrimônio
sem mais riscos, nem mistérios, nem expectativas.

Não mais o despetalar mal me quer, bem me quer..
O amado ali está muito ao alcance da mão,
que tantas vezes acaba ficando em segundo plano
sem os cultivares necessários a que a flor não murche.

Às vezes penso, que a rotina mata a flor do amor.
E se parte em busca daquele ser tão amado,
dos tempos de outrora e não reconhecemos mais
como nosso enamorado, o que ali se encontra.

É quando tentamos resgatar o velho sonho.
Investimos em diálogos, argumentos e tentativas
de que tudo volte a ser como era antes.
Mas nada muda, apenas o silêncio se apresenta.

Vã ilusão a nossa....por mais que nos debatemos,
por mais que busquemos equacionar a situação,
ela já se encontra totalmente fora de nosso controle
considerando que o outro nem quer mais tentar.

Buscamos aquele amor que foi desmedido,
aqueles beijos que nos deixavam sem fôlego,
os abraços, os desejos, o tesão que pede resolução
as tantas noites e dias em que respirávamos juntos no amor

E nada disso encontramos...apenas um vazio imenso
um desejo de que o outro desapareça da nossa frente,
com um piscar de olhos, pois aquele que ali está
não é mais o nosso desejado amante, nosso grande amor.

Contudo os vínculos que se formaram ao longo do tempo,
continuam a prevalecer, até mesmo depois da separação,
levando um certo tempo para se dissolverem completos,
trazendo a liberdade e tirando o sufoco do coração.

* DE CORDIS . Em latim significa de coração. O radical latino sobreviveu em “aCORDe”,
bem como em “CORação”, “CORDIal” e “aCORDeão”.

Curiosidades

DECORAR (textos)
Memorizar com o coração
ou seja tudo que nos emociona, fica melhor gravado pelos mecanismos da memória.

DECORAR (a casa)
Preparar com o coração,
o local onde se mora, e nele se colocam todos os elementos que irão proporcionar prazer e alegria aos nossos olhos
e daqueles que moram conosco ou nos visitam.
 

 

Guida Linhares
Santos/SP/Brasil
 

 

 

 

 

 

Separação
Luiza Sampaio
 


Vestiu-se de nada sem pudor
para enfeitar a alma dilacerada
passou um resto de batom sem cor
para combinar com a face já desbotada

Nas mãos, o porta-retrato abraçou
num gesto de amor o afagou e beijou
para o vaso imaginário olhou
as rosas vermelhas e murchas dele retirou

À distância, ruído de vozes e cantos
na alcova restava desfeita em prantos
de tudo carecia ...luz, música, vida e emoção

No horizonte o arco-íris versos desenhou
o coração aflito lágrimas derramou
as paredes vazias anunciavam o fim de uma paixão
 

 

Luiza Sampaio
Santos - SP
www.luizasampaio.recantodasletras.com.br

 

 

 

 

Amar ao Por do Sol
Marcial Salaverry
 


Amar ao por do sol...
Amar o por do sol...
Por do sol... poente do sol...
Que não seja o poente do amor,
pois é doce o por do amor...
Amar num poente sol...
abraçadinhos deitados num gramado,
olhando o céu meio de lado,
trocando beijinhos apaixonados,
amando amar assim deitado,
tendo o chão como acolchoado,
e o céu como cobertor...
Acho que é assim o amor...
Assim é o amor de verdade,
aquele que traz felicidade,
e depois deixa uma doce saudade...
O amor assim amado,
com tanto calor vivenciado,
com esse tesão apaixonado,
é um amor que deve ser vivido,
que deve ser mantido,
e não deve ser perdido...
 


Marcial Salaverry
Santos 14/06/08

 

 

 

 

Dor antiga
Maria Nogueira Martinelli
(Sapeka)
 


Trago o grito preso na garganta
que a alma tenta em vão libertar
é dor que o peito suporta calado
e não consegue nem pode explicar

Perdida lágrima contida há tempos
as vezes escapa de onde é seu lugar
no canto fechado ocupando um espaço
do riso feliz que a alma quer escutar

É o grito calado que vem das entranhas
do útero seco da alma querendo aflorar
abafa o riso que a vida oferece de graça
naquele momento que a dor se faz lembrar

Antiga dor que se fez muralha de sonhos
aprisionando o desejo de querer só amar
se arma do medo da alma, que foge aflita
pro canto secreto onde a dor não vai achar
 

 

Maria Nogueira Martinelli
(Sapeka)


Santos
30/12/2007
 

 

 

 

 

Devolva-me!
Naidaterra

Enamorou-se...
Encheu teus olhos de desejos
e colheu-me do ventre da terra...
Fui o arabesco que envolveu o teu corpo
e o azul do teu olhar fez-me peregrina
dos teus caminhos...
Depois de fazer-me sentir um ideal
quimérico de uma existência
em tuas mãos macias, deixou-me
num altar em vaso de cristal,
tal qual uma pedra preciosa... intocável...
Sufocante liturgia...
Devolva-me!
Não quero teu altar como moradia...
Desejo voltar ao meu
vôo matinal com as andorinhas,
voltar a viver...
 

 

Naidaterra


São Paulo - SP
 

 

 

 

 

 

Encontrei-me Em Você
Solitário da Madrugada
 


Encontrei-me novamente no seu amor.
Estar com você é um estar comigo.
Como se estivesse amando pela primeira vez.
Em meu pensamento só tenho você.

Seu amor pousou sobre mim e ficou.
Fazendo-me companhia tão esperada.
E revirando tudo o que há em mim.
Ao seu lado estou vivo e amando.

Seu amor veio acompanhado de carinho.
Com muita dedicação e sua eterna paixão.
Vozes dentro de mim gritavam em tons altos.
São as almas da alegria e felicidade em mim.

Como se meu corpo fizesse reviver novamente.
Poder sentir o perfume de nosso amor no ar.
Dizer e ouvir palavras de amor apaixonado.
Encontrei o seu amor para enfim dar o meu.
 

 

Solitário da Madrugada

São Paulo - SP

 

 

 

 

 

Santos... Numa sexta-feira, treze...
Tere Penhabe
 


Eu tentarei, talvez, delicadeza,
Nos versos que me pedem realeza,
Para narrar encontro memorável.
Pois tivemos prazer em receber,
Dois amigos que já provaram ser,
Amantes da poesia: incontestável!

Empresto de Jacob, o seu modelo,
Sextilhas que ninguém faz com mais zelo,
Porém peço perdão pela ousadia...
Mas é que o meu cordel está malvisto,
Porque a irreverência com que o listo,
Não é o que esse momento me pedia.

Amigos, Sardenberg e Hildebrando...
Por mais que deles tente ir falando,
Não direi da alegria que sentimos...
Porque nesse rincão à beira mar,
Mesmo havendo quem ouse duvidar,
Por amor à poesia, nos unimos.

E se de vez em quando um arranca-rabo,
Deixa um amigo triste ou magoado,
Não creio que isso mate a amizade...
Decerto que entre irmãos isso acontece,
Porém o amor real nunca arrefece.
Perfeição é inimiga da verdade!

Reservo-me o direito, pesarosa,
De remendar apenas uma prosa,
Comenda que nos deram, sem fofoca:
Eu e Cici fomos chamadas de rainha
E eu juro que não é por picuinha...
Rainha?... Só se for da tapioca!

Estendi minha fé na carreata,
Em preces fervorosas de beata,
Pois me conheço e era o que convinha...
(Afastem-se de mim, encostos mil!)
Nada me inspire, "Turma do Funil...” ·
Porque senão será meu fim da linha!

Finalmente chegou a sexta-feira...
Que me causou até uma tremedeira,
Quando bati os olhos no calendário...
É sexta-feira treze... Ai meus sais!
Santo das minhas gafes... É demais!
Põe, Senhor, minha língua no sacrário!

Mas no que diz respeito aos convidados,
Graças a Deus e aos santos invocados,
Deu tudo certo até com nota mil...
Deixo um carinho meu para Ivanet,
Que não é viciada em internet,
Porém compareceu, muito gentil.

Aos dois encantadores companheiros,
De copo, prosa e até versos maneiros,
A nossa gratidão pela presença...
Que se repita mais constantemente,
Porque já fazem parte, certamente,
De uma saudade que faz diferença.

Aos queridos amigos que vieram,
Que desta vez todos nos atenderam,
Eu agradeço em nome da poesia...
Que eu desejo a todos: nunca pare!
E seja até que a morte nos separe,
Nossa amizade, gafes e folia.
 

 

Tere Penhabe
Santos, 16.06.2008
www.amoremversoeprosa.com