José Antonio Jacob

 

 

Tanto verso dedicou-te algum poeta
E eram palavras mortas, minha amada...
E tu dizes-me mais estando quieta,
E como é bom te ouvir assim calada.


Que tu tens a poesia que me inquieta,
Quando teu doce olhar repousa em nada,
E não vês que já trago a alma repleta
De outras dores de amor, de outra jornada?


Versos tantos e tanta indiferença...
E de que valem versos de paixão
Se neles há suspeita de descrença.


E o teu calado olhar que não me diz
O que me quer dizer teu coração...
Dize-me, pois, Senhora, se és feliz?

 


 

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Do livro Almas Raras de José Antonio Jacob