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Nessas horas, de folga
e de doçura,
Que fico a ler o meu Poeta Triste,
Eu sinto o quanto a sua idéia apura
E o fino espírito que nele existe.
O meu poeta doloroso insiste
Compor, num poema de elegância pura,
As dores que a minha alma não resiste,
E eu sinto pena dele, com ternura.
Fecho o livro e ponho-me a caminhar
Pelo parque sem cor, e as horas morrem,
E outros soluços sobem-me no olhar.
E quando passo sobre o açude, as águas,
Que dos meus olhos, pouco a pouco, escorrem,
Entornam lá no lago as minhas mágoas.

Do livro Almas Raras de José
Antonio Jacob
Todos os direitos reservados ao
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