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Meu céu cinzento
é um teto em minha sala
E nele eu vejo os dias, da poltrona,
Se tento dar um passo uso a bengala,
Tenho uma artrite que não me abandona.
Passo nas juntas óleo de mamona,
Pois quando dobro o joelho a perna estala,
Aqui em casa nada mais funciona,
Eu ligo o rádio, mas ele não fala...
Chego à janela e fico a ver auroras,
Falo sozinho o dia inteiro à toa,
Não tenho aonde ir: não tenho aonde!
Para escutar a voz de outra pessoa
Eu saio às ruas perguntando as horas,
Mas quem passa por mim não me responde.

Poeta e Escritor - Juiz de Fora
- MG
Do livro
Almas Raras de José Antonio
Jacob
Todos os
direitos reservados ao autor


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