José Antonio Jacob

 

 

 

No meu quintal a chuva se derrama
E a rouca voz do vento passa e geme,
Minha alma, mais que o meu peito que treme,
Ajoelha-se de medo e um nome chama.

Escuta a dor na voz de quem te ama!
É o meu amor descrente que te teme
E que encurva essa mágoa, que me espreme,
Para esconder-me o rosto nesta lama.

A tarde desmancha-se, desaguada,
Mais indeciso fico ao te chamar
Porque, de longe, me responde o Nada..

E a noite passa num longo arrepio
De ave de mau agouro, a sobrevoar,
A minha casa e o meu quintal sombrio.
 

 

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