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José Antonio Jacob
Pobre de mim que aos poucos percebia
Num doce olhar desejos de artifício,
Eu que não tinha encargo e nem ofício
E era esposo da noite e irmão do dia.
Então pobre de mim que não sabia
Que, desde em diante, abria o meu suplício,
De ver agora o que não me existia
E que me é irresistível como um vício.
Nascer, crescer, amar, depois morrer:
Eis a melancolia em nossa vida...
E o tempo passa sem a gente ver!
Mas temos de ir no tempo (que é preciso)
Vem amor, vem saudade, vem querida,
De que vale na vida ter juízo?

Todos os direitos reservados ao autor
Do livro Almas Raras de José Antonio Jacob


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