Meu triste poeta! Sempre tão sofrido!
Reabro meu velho livro, e a tarde é fria,
E fico a ler seus poemas, noite e dia,
Conforme eu nunca houvesse um poema lido.
 


Fale por mim (eu sou muito esquecido)
A doce ave-maria da poesia,
Que os seus versos me deixam comovido
Pois que eu sempre fui triste e não sabia.
 


Meu triste poeta! Sempre em despedida!
Por ouvir-lhe, assim, dentro do meu peito,
Há-de saber, de longe, com certeza:
 


Que eu sempre fui leitor da sua vida,
Por essa suave graça e esse seu jeito
De escrever no papel sua tristeza.

 

Do Livro Almas Raras de José Antonio Jacob

 

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