José Antonio Jacob

 

 


Daqui do bar a noite é uma criança
Que, lá de fora, espia da vidraça
A espuma doce que desliza mansa
E que escorrega no cristal da taça.

E dos meus olhos, feitos de fumaça,
De indiferença ao lustre que balança,
Envio acenos de desesperança
Detrás do copo onde a bebida passa.

E quando não me basta mais um trago
Remexo no meu bolso, dou um afago,
E uma pequena foto se revela...

Bem desgastada dos carinhos meus
E amarelada do sorriso dela
Onde no verso está escrito: Adeus!...
 


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Do livro Almas Raras de José Antonio Jacob