Para acalmar a febre do meu rosto
Encosto a fronte na vidraça fria,
E fico a olhar a rua tão vazia,
Pois tudo está sem graça no Sol-posto.
 


Lá fora o vento passa e empurra o dia,
Que vai embora como o rei deposto:
Se para alguns deixou muita alegria
A tantos outros só deixou desgosto.
 


E enquanto a tarde inclina-se ao poente
Eu desço para o meu jardim sem cores
Que está (como eu estou) triste e descrente.
 


E juntos soluçamos nossas dores:
Eu magoado de estar velho e doente
E o meu jardim por ter perdido as flores.

 

Poeta e Escritor - Juiz de Fora - MG

 

Do livro Almas Raras de José Antonio Jacob


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