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Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis "Cidade Poema"
Bate – estaca, bate – estaca
Pra fazer a construção.
Entra o prédio, sai a mata,
Começa a devastação.

Bate – estaca, bate – estaca:
Areia, brita, cimento,
Tomba o cedro num lamento,
Trina triste o passarinho,
Perdeu-se toda a ninhada
Com a queda do seu ninho.

Bate – estaca, bate – estaca
Espantando a bicharada
Que foge de sua toca
Em busca de outra morada.

Bate – estaca, bate – estaca:
Serra, trator, britadeira...
A terra de chão batido
Dá lugar à mata inteira.

Bate – estaca, bate – estaca,
Lamenta em dor o riacho
Ao ver a mata nativa,
Que o envolvia em abraço,
Sucumbir covardemente
Rolando de morro abaixo.

Bate – estaca, bate – estaca,
Entra a “civilização”,
Sumindo toda a floresta,
Pois o “homem” que não presta
Só pensa em renda e cifrão.

Bate estaca – bate estaca:
Meio – fio, arruamento,
Poste levando energia,
A empreiteira faz folia,
É grande o faturamento.

Bate estaca – Bate estaca,
Vem o esgoto, é tanto lixo!
Entra o homem, sai o bicho,
Tudo parece normal:
O racional nada sente,
Bicho do mato é mais gente
Do que esse homem animal.

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