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Ao ler alguns poemas do
Sardenberg encantei-me de imediato logo nas
primeiras estrofes da sua poesia. O calor de
animação com que o poeta conduz a sua narrativa —
soltando as rédeas da sua imaginação para atingir
o íntimo de seus sentimentos, passeando pelo seu
imaginário que é um mundo encantado — começa em
uma cadência de palavras, de estilo suave, e
termina com desfechos surpreendentes.
Em determinados momentos das suas histórias
ele conduz o leitor à doçura contagiante das suas
frases, que na verdade são versos puríssimos, de
bom gosto e de sensibilidade ímpar: uma
sensibilidade com impressão digital, com grife e
com características próprias; típica dos poetas
pensadores e dos contempladores da alma humana.
Seus versos são firmes e coerentes,
de uma beleza invulgar, passam pela abstração dos
devaneios — ao alheamento do espírito frente ao
realismo que a matéria apresenta-nos a cada
momento da vida - para depois acomodarem-se no
branco do papel em forma de versos. E, ainda,
trazem idéias novas, e metáforas de apuradas
coerências figurativas. Tudo isso sem
inclinarem-se à mesmice do assunto.
O poeta Sardenberg tem uma tendência
à gentileza das palavras, e lida com elas com o
lápis e os pensamentos, nas mãos, que são as
únicas ferramentas do escritor. Seus versos variam
do parnasianismo ao modernismo sem que com isso se
tornem enfadonhos, pois que são sublinhados da
elegância dos observadores fidalgos.
A arte do dialógo poético encontra-se
justamente nessa simplicidade das idéias claras;
nessa categoria superior da dialética. É nessa
síntese inversa que se procede o milagre das
estrofes que transferem a teoria complexa do
pensamento para a simplicidade absoluta da idéia.
Sardenberg tem essa excelência que só
possuem as criaturas iluminadas e tocadas pela
divindade inspiradora da poesia.
Resta-me apenas uma observação final: trata-se de
um poeta ímpar, isto é inquestionável!
José Antonio Jacob
Poeta e Escritor
Juiz de Fora, 18/06/2004
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